terça-feira, 16 de maio de 2017

867, 00h40 de um sábado



Constantemente a gente pensa como as coisas seriam se tivéssemos feito de forma diferente. Mas dessa vez não foi exatamente assim. voltando pra casa sozinha, chapada, olhando aquele céuzão que só uma noite carioca pode proporcionar e tudo mais, eu só pensava em como as coisas seriam se eu tivesse sido diferente. Se eu não fosse de um signo de água, se eu não tivesse toda essa ansiedade que me impede de ser misteriosa ou subjetiva, se eu não tivesse a ansia de saber como as coisas estão e como elas vão ficar. Entende? Se eu não tivesse constantemente atrás da resposta da única pergunta que ainda me atormenta "o que exatamente voce sente por mim?". É por causa disso tudo que fomos parar onde estamos.

Mas será mesmo que eu fui a única culpada por essa porra toda? Se eu bem me lembro - e eu me lembro, porque eu não esqueço nada, voce sabe - o teu excesso de subjetividade foi que me deixou a ansia, a sua inscontancia nos fez mal, o seu sarcasmo e arrogancia desgastou e principalmente a sua covardia foi responsável pela nossa desistencia. Talvez eu não devesse me culpar tanto.

Continuando a pensar sobre todas essas nossas características opostas e inevitáveis.. eu gostava do seu egoísmo, no início. Ele me fez perceber que ser egoísta é uma grande jogada para ser feliz nesse mundo que vivemos. Eu gostava das suas palavras difíceis bem misturadas que é pra gente só entender um pouco do que se passa na sua mente. Era interessante. E que foi provavelmente por toda a minha impulsividade que voce olhou pra mim também.

Por causa de todas essas coisas, que viraram chatos defeitos, a gente se conheceu e se envolveu e se gostou. Talvez as coisas tivessem terminado de uma forma melhor se eu fosse menos isso ou voce fosse mais aquilo, mas não é o caminho que importa?
Mas não é dessas coisas que somos formados? Mas não são as nossas atitudes, nossa gritaria, nossas discussões constantes mas também nosso humor sarcástico e idiota que fez sermos tão próximos? Isso somos nós. E as coisas não teriam sido tão intensas se não fóssemos puramente nós ali, o tempo todo.

Então eu pensei, eu não queria ter conhecido ninguém diferente do que voce é. E eu não queria que voce tivesse conhecido ninguém diferente do que eu sou. As coisas poderiam ter sido diferentes, até mesmo melhores, mas se fossem outras pessoas.

sábado, 1 de abril de 2017

Sobre o processo de conhecer outras pessoas.

Estar em um novo lugar é sempre muito engraçado pra mim.
Porque observar as pessoas é engraçado.
E porque a reação das pessoas por eu não estar no grupo que precisa ser aceito por todo mundo é engraçado.


Vamos lá, de todos os aspectos que meu signo solar poderia se demonstrar, ele escolheu ser mais forte no que diz respeito à interação humana. Sendo mais cética, ano passado eu passei por poucas e boas graças à alguém em quem eu confiava muito e tinha uma relação intensa. Esse ano tô umas 300 vezes mais cuidadosa, e não to encarando como algo ruim, como uma pessoa amargurada ou traumatizada. Apenas uma questão de segurança que só pode trazer benefícios, enfim.
Imagem relacionadaContinuando no primeiro fator, eu realmente não gosto e não sei iniciar conversa na tentativa de iniciar amizade com alguém que tem o mínimo de chance de ser compatível comigo. Desculpa, é meu jeitinho. Não só acho perda de tempo como extremamente desconfortável. Você fica lá, sondando os assuntos pra ver sobre o que vocês podem estabelecer uma conversa e até isso ser definido vocês tem uns diálogos desinteressantíssimos. Então quando vocês acham algo - coisa que nem sempre acontece - precisa falar cuidadosamente qual a sua opinião sobre aquilo porque você não sabe a do amiguinho. É um porre, eu não tenho paciência pra isso.

Pra evitar isso, eu fico no meu cantinho até avistar alguém que pareça interessante, que o desgaste possa valer à pena. O problema é que enquanto eu tô quieta calmamente fazendo essa observação, as pessoas estão interagindo. E quando elas veem que eu não estou fazendo o mesmo, a obrigação social diz que elas precisam me incluir nesse hábito frustrante. Então eu sou bruscamente tirada da meditação interna pra essas conversas chatas.
Eu não sei porquê eu ficar distante ou quieta incomoda tantos aos outros. Eu juro, não é timidez. Eu posso falar com você se eu achar que isso vai me acrescentar minimamente. E não é menosprezando as outras pessoas, mas é que somos todos muito diferentes. E juro, esse meu método dá muito certo.
O mais embaraçoso não é vocês acharem que estão meu excluindo ou que eu sou excluída - de fato sou naturalmente um pouco - mas é eu ter que negar essa interação à vocês ou me sentir incomodada até sutilmente sair dessas conversas chatas.

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Bom, a questão é que apesar desse assunto ser tão batido, passei a notar na pele a necessidade das pessoas de serem aceitas pelas outras. Não importa o quanto você pense "foda-se", no outro dia você tá lá, no meio da roda, rindo de uma referência que você sequer entendeu. Eu sei que isso é absolutamente normal, que não fomos feitos para estar sozinhos e por isso vivemos em sociedade. Mas afinal, até onde isso é prejudicial?
Eu acho que esse desespero por ter amigos, ser aceito, etc, nos deixa limitados sobre o que podemos fazer. Em resumo, nos impede de ser inteiramente nós mesmos.
O que me intriga é esse comportamento permanecer depois de séculos de filmes de comédia adolescente da Disney.

Bom, fica dois recados nesse desabafo meio post conscientizador: respeitem o tempo das pessoas, cada qual tem a sua forma de lidar com as coisas e forçar só vai causar desconforto. Relaxem.
Segundo, as pessoas que tiverem que estar do seu lado, estarão. Você não é um lobo solitário, mas é o necessário de auto-suficiente. Não precisa ficar com medo ou desespero. Relaxe.

terça-feira, 28 de março de 2017

Bruxaria literária 01

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Desde o ano passado eu tento começar meus estudos sobre bruxaria tradicional - aquela, a mais feministona - e seguir uma lista imensa de obras que me foram recomendadas por uma mocinha muito simpática de um grupo pagão. Mas confesso que tentar iniciar pelos livros mais explicativos e metódicos, que falam sobre covens, rituais, orações, etc, mais até do que sobre a própria fé, não funcionou pra mim. São bons livros mas não me fazem lembrar o caloroso abraço que sinto quando reflito sobre a existência da Deusa e suas bençãos.
Que foi exatamente o que A ciranda das mulheres sábias, sobre ser jovem enquanto velha e velha enquanto jovem conseguiu fazer.
Resultado de imagem para clarissa pinkola estesEsse livro, da mesma autora e poeta, contadora de histórias e analista junguiana de Mulheres que correm com os lobos, Clarissa Pinkola Éstes, foi escrito quando a mesma já tinha mais de 60 anos - ou seja, ela fala de algo com propriedade.
Ele fala sobre as relações mulher com ela mesma, mulher com outras mulheres e mulher com Deusa/com o dom natural que nasce com ela, de honrar e utilizar das três faces. Principalmente, noções importantes de irmandade e sabedoria.

É um livro essencialmente poético, repleto de metáforas bonitas dignas de boas ficções, que constroem a força sutil que seu conteúdo apresenta. Começando por convidar todas nós, leitoras - e esse é de fato um livro que lido por homem não há de ter o mesmo valor -  a entrar na "cabana da floresta"  e aconchegar perto da lareira pra conversar sobre o que realmente importa. E esse é o cenário perfeito para o que será estabelecido nas próximas páginas, já que devido a escrita intimista, como em uma real-oficial reunião de amigas somada ao conteúdo - ou seja, toda mensagem que uma visível alma e espírito experiente e sábio tem para nos passar trás a sensação constante de aconchego e calor. Afinal, segundo ela mesma “sempre que duas mulheres ou mais falam de assuntos que importam de verdade, o espírito formado se reúne com apreço mútuo”.

O subtítulo do livro trás um paradoxo que, para mim pareceu ser o ponto principal do livro. E sem hesitação ela mostra que ele se trata, principalmente, da Velha Sábia que existe dentro de toda mulher, independente da idade, que para acessá-la basta reconhecê-la e honrá-la - ou seja, explorar essa sabedoria espontânea é um resgate da nossa ancestralidade.

Resultado de imagem para tres faces da deusa a velhaMas o que é ser essa Abuelita, como a autora muitas vezes fala?! Bom, ser uma Mulher Sábia é basicamente, apesar de qualquer obstáculo, possuir “a grande perspicácia, a grande capacidade de premonição, a grande paz, expansividade, sensualidade, a grande criatividade, argúcia e coragem para o aprendizado”. Em outros trecho ela explica: “A tarefa crucial da grande mãe é simplesmente a seguinte, e nada além disso: viver a vida plenamente. Não pela metade. Não três quartos. Não um dia, abundância; no outro, penúria. Mas viver plenamente cada dia. Não de acordo com a capacidade do outro. Mas de acordo com a sua própria capacidade, predestinada, de livre-arbítrio, que dá a vida, não que entorpece a vida”“‘Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem’. Esse é o principal imperativo da mulher sábia. Viver para que os outros também se inspirem. Viver do nosso próprio jeito vibrante para que os outros aprendam conosco”.

Um dos pontos do livro também (não me lembro a ordem deles, mas lembro os que considerei importantes) é que Clarissa ressalta a importância de haver uma Avó na manutenção da sociedade feminina que ela trata como natural do sexo, já que esta fica encarregada de aconselhar e ajudar da melhor forma as mais jovens. “Os príncipes são bons. Os príncipes podem ser excelentes. Mas, com frequência, nos mitos, é a velha que tem algo realmente bom a dar”

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Ela também faz uma referência direta às três faces da Deusa quando diz que "juntas, elas (mulheres jovens e mulheres velhas) simbolizam dois aspectos essenciais encontrados na psique de cada mulher. Pois a alma de uma mulher é mais velha que o tempo, e seu espírito é eternamente jovem... sendo que a união desses dois compõe o "ser jovem enquanto velha e velha enquanto jovem."

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E Clarissa trás como resolução para uma mulher que perdeu o contato com um ou com o outro aspecto de si mesma, seja o espírito para sempre jovem ou a anciã conselheira... receber a benção. É, benção mesmo como muita gente pede aos avós e outros parentes mais velhos. Segundo ela, a benção abre todos os portões, faz com que você use algo que já possui, algo que nasceu junto com você no dia em que você chegou à Terra. Uma benção é para que você se lembre totalmente de quem é.

Nos capítulo seguintes Clarissa fala sobre os desafios que as Velhas propõem a si mesmas ou são feitas por quem duvida delas, de seu poder e capacidade, usando e abusando de métaforas para explicar que o processo de se tornar uma Mulher Sábia é um esclarecimento que transcende barreiras da psique e está inclusive para além do campo espiritual. Assim, a Mulher Sábia é um ser com várias camadas que a compõem e trabalhando com cada uma delas para mantê-las fortes, não tem fraquezas.

Resultado de imagem para arvore wiccaTambém é interessante o que Clarissa diz ao responder a pergunta "por que ela é perigosa?". Como já foi citado, as mulheres velhas ensinam as novas a fazer o mesmo. Plantam sementes. Assim, ela morre e cresce de novo. Morre. E cresce de novo.
É nesse capítulo que ela conta uma história pessoal de uma idosa que ela chama de Velha Ana. E um trecho que muito chamou minha atenção pois resume o SER uma Mulher Sábia foi "A Velha Ana era uma mulher que conhecia seu próprio corpo. Ela sabia como abaixar sua febre de um modo que mais ninguém poderia calcular. Como muitas grandes avós, ela sabia de coisas que ninguém pode questionar (...) Não existe explicação viável para algumas ideias que muitas grandes avós possuem, além do fato de que elas sabem das coisas."

No capítulo seguinte, vem o que eu acho ser o ápice do livro e o resumo do que é e das funções das Velhas em que ela explica nos capítulos anteriores: mais uma história pessoal sobre quatro mulheres testando um noivo no seu casamento. É simplesmente incrível, a escrita é tão impecável que você se sente vendo aquelas mulheres, não importa onde realmente esteja. E a cena é carregada de música, dança, suor, enfim, muitos elementos da bruxaria. Além de aqui, concretizar sua visão da velhice não como motivo de tristeza, mas de muita alegria pois são anos de muita plenitude e realização que ela descreve incrivelmente.

Na segunda parte do livro, ela faz uma grande prece à todas as mulheres no melhor estilo poético possível. É uma linda oração.

segunda-feira, 13 de março de 2017

amém Amy Adams!

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Arrival / A Chegada (2016)
dirigido por: Denis Villeneuve
116 minutos

Quando seres interplanetários deixam marcas na Terra, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma linguista especialista no assunto, é procurada por militares para traduzir os sinais e desvendar se os alienígenas representam uma ameaça ou não. No entanto, a resposta para todas as perguntas e mistérios pode ameaçar a vida de Louise e a existência de toda a humanidade.

A primeira coisa que você precisa saber antes de assistir Arrival é que quando acabar você não será mais a mesma pessoa. É o mesmo sentimento que te assola depois de ver Interestelar ou Amnésia. 

O início do filme mostra a Dra. Louise como alguém que vive triste com uma espécie de tragédia que parece ter acontecido recentemente em sua vida, ela lembra o tempo todo do ocorrido e se tornou muito solitária depois do que aconteceu. Ou seja, o filme já começa de forma não-linear (não mostra o tempo na ordem que ele acontece, mas uma mistura de passado, presente e futuro). A questão é que "lembrar" não é bem a palavra do que acontece. No final do filme você nota que devia ter prestado mais atenção na primeira cena:

"Memory is a strange thing.
It doesn’t work like I thought it did."
(A memória é uma coisa estranha. Ela nunca funciona como eu achava que funcionava)


Louise é doutora em linguística, foda no que diz respeito à comunicação e é por isso que quando 12 naves alienígenas pousam em diferentes locais do mundo, um coronel vai pessoalmente em seu escritório pedir ajuda. Ele leva um gravador com o que conseguiram na tentativa de falar com aliens, mas tudo o que dá pra entender são ruídos. Ela diz "tá de sacanagem?", não, isso é o que a gente pensa. Mas ela diz que precisaria estar lá pra avaliar o comportamento deles. E assim, junto com um cientista fodão também, ela está à frente da interação estaduniense com os alienígenas em auxílio ao exercito americano.


Na primeira sessão, Louise percebe que não vão conseguir nada tentando decifrar os sons que recebem como resposta dos aliens, mas que se comunicar pela escrita será o caminho mais rápido. Assim, na segunda tentativa, ela leva o que chama de "auxílio visual", um pequeno quadro branco onde escreve a palavra "HUMAN". E ela consegue uma resposta. Mas aquilo é diferente de tudo o que já viram.


O que parece ser só um borrão em formato circular pra gente, é a escrita desses alienígenas. Começam a estudá-la e a ensinar aos aliens algumas palavras e conceitos básicos do inglês para que consigam a responder a grande pergunta QUAL O PROPÓSITO DE VOCÊS NA TERRA? 
Pra isso, eles precisam ser ensinados o conceito de pergunta - questionamento que precisa de resposta -, de pronomes - não querem saber o porquê de um alien específico ter vindo, mas o porquê todos eles. Aqui está o primeiro ponto de originalidade do roteiro, na minha opinião, abrir a nova perspectiva de que um ser extraterrestre possui não só outra linguagem, mas outra cultura completamente diferente da nossa, que não tem os mesmos elementos e talvez nem elementos correspondentes. Que a comunicação deles pode ser algo que sequer tenha tradução, como acontece entre os idiomas terrestres.

Focando todas as pesquisas e estudos a escrita alienígena recém descoberta, alguns fatos interessantes são descobertos... o primeiro é que, diferente de toda língua humana, eles possuem uma escrita que não é falada, simplesmente não tem tradução oral. E a segunda é que não tem relação com o que é pensado e o que é escrito. A forma circular representa a não-linearidade do pensamento, como se você já escrevesse sabendo perfeitamente qual o espaço que aquela frase vai ocupar. É quase um pensamento instantâneo.
Eis a segunda ideia inédita. Sempre pensamos e vemos alienígenas na ficção científica como seres completamente diferentes fisicamente de nós, mas a sua fala e comportamento, se não for bestial, é meio humana. Mas isso é diferente de tudo, é mais do que uma superioridade tecnológica ou intelectual, é literalmente outra forma de pensar.

Outra coisa bem legal é que conseguem manter um certo mistério sobre a aparência dos aliens até o final do filme, mesmo o que mostra durante não é a forma física deles completa, e você se surpreende quando isso é revelado.

Durante o processo, começam a surgir dois problemas. O primeiro, interno de Louise que está cada vez mais perturbada com os sonhos que tem constantemente com a mesma garotinha em diferentes fases e situações da vida. O segundo, diplomático. Nem todos os paises tem a mesma paciência e didática com nossos visitantes que os EUA (risos), como a China, que é o primeiro país a declarar guerra aos extraterrestres - uma decisão nada inteligente, diga-se de passagem.

Agora, resta a essa ~personagem feminina forte~ se resolver e ficar bem, acalmar os ânimos do General chinês e conseguir logo essa bendita resposta. Mas o mais legal, o plot twist, a cereja do bolo, a sacada final, é a consequência desse processo de aprender um novo idioma.




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Noctural Animals / Animais Noturnos (2016)
dirigido por: Tom Ford
115 minutos

Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte que se sente cada vez mais isolada do parceiro (Armie Hammer). Um dia, ela recebe um manuscrito de autoria de Edward (Jake Gylenhaal), seu primeiro marido. Por sua vez, o trágico livro acompanha o personagem Tony Hastings, um homem que leva sua esposa (Isla Fisher) e filha (Ellie Bamber) para tirar férias, mas o passeio toma um rumo violento ao cruzar o caminho de uma gangue. Durante a tensa leitura, Susan pensa sobre as razões de ter recebido o texto, descobre verdades dolorosas sobre si mesma e relembra traumas de seu relacionamento fracassado.

O filme tem três linhas cronológicas que se intercalam mas é sempre nítido quando muda. O presente de Susan, suas memórias com o ex-marido, e a ficção dentro do filme, que é o livro, Animais Noturnos, que ela recebeu. O nome, explicando em um momento do filme, é uma referência à ela mesma, já que "animal noturno" é como Edward à chamava pois ela tem problemas com insônia e passa muitas noites acordada. Assim, nem precisava, mas só pra ficar claro, ele botou na primeira página "para Susan". 
  

"my ex-husband used to call me a nocturnal animal"

O livro é uma história violenta e dramática de um homem que teve sua esposa e filha estupradas e mortas por uma gangue de 3 homens e conta com a ajuda de um policial local com câncer no pulmão para ter sua vingança. Durante toda a leitura, Susan se sente perturbada e temos bruscas mudança do cenário do livro para Susan lendo super tensa, Susan jogando livro no chão, Susan passando a mão por debaixo do óculos, e assim passar o quanto ela estava realmente sentindo o livro. Olha, esse homem escreve bem mesmo, ein?! Primeiro pensamento.



Daí você se liga... "por que diabos esse livro foi dedicado à ela?". Mas a narrativa do livro começa a se misturar com as lembranças do relacionamento de Susan e a coisa toda vai ficando clara. 


Logo de cara, a gente percebe o quanto Susan mudou durante os anos. Nas lembranças, uma mulher simples, aparentemente feliz, sem maquiagem... E parece que ela mesma não se sente satisfeita com isso. De família rica, historiadora da arte, ela acabou se moldando aos padrões do que é necessário pra estar nessa indústria e classe social. 
Esse é um dos pontos. Como ela foi mudando, não só na aparência, e se distanciando do que inicialmente fez o casal se apaixonar. Até porque, Edward é um escritor romancista, super sentimental...



Com o auxílio de uma fotografia foda, a agonia é cada vez mais presente, e quanto mais aumenta na ficção-dentro-da-ficção, mais aumenta a culpa e arrependimento na protagonista, que dentro de algumas cenas é revelada a razão. 

O final, mesmo sem nenhuma grande mensagem ou surpresa, trás uma boa conclusão pra trama e te faz pensar por alguns bons minutos o que significou. Quando você percebe, o filme estava cheio de mensagens do que foi toda essa experiência. 



Em resumo, não é do tipo que vai te fazer tremer ou chorar, mas adiciona cinematograficamente.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Nem todas nós podemos fazer greve, mas... podemos militar.

Nos EUA, já se falava sobre feminismo negro e recortes nos anos 70. Mas no Brasil, só nos final dos anos 80 é que as críticas alavancadas por Judith Butler chegaram. Começou a se mostrar que um movimento homogênico é excludente, que não dá pra tratar os problemas femininos como universais uma vez que diferente opressões atingem diferentes mulheres, assim, é necessário discutir "gênero" com recorte de classe e raça.

Hoje, como descomemoração pelo Dia Internacional das Mulheres, o movimento NEM UMA A MENOS decidiu propôr a Greve Internacional das Mulheres seguindo a máxima "se nossas vidas não importam, que produzam sem nós". O que, para mim e uma cambada de teóricas do feminismo, essa é realmente a única forma de quebrar o maior pilar do patriarcado: o capitalismo. Apesar de serem independentes sistemas de opressão, hoje, ambos acabaram se fundindo e um faz a manutenção do outro. Exemplo: as indústrias da beleza que lucram graças a opressão estética em cima do corpo feminino. 
E, na posse privada dos meios de produção do sistema capitalista, surgiram os grupos dominados e dominantes... classes sociais... desigualdade social. Que é basicamente o motivo pelo qual nem todas nós podemos fazer greve.

Em outros paises, é fácil notar que a opressão por "gênero" é com certeza a maior, pense Oriente Médio por exemplo, nem há como mulheres e homens competirem economicamente já que mulheres nem tem acesso há estudo ou qualquer outro meio de ascensão financeira. Então, limito essa ~crítica~ ao Brasil. A dinâmica daqui é diferente. Como não temos mais leis que amparem o machismo escancarado, é dado a nós o direito de ensino, emprego, etc, e conseguimos chegar e até ultrapassar a classe média/alta masculina. Mas o problema é que o ensino que é dado à mulher da periferia não é o mesmo ensino dado à mulher da cobertura na praia. O que eu tô querendo dizer é que aqui, a burguesia tá sempre no topo e a periferia sempre na luta. Se você é rica, branca, ainda que mulher, nunca que um homem negro vai te ganhar em um processo judiciário. 


Em resumo, há mulheres que vão usar do seu privilégio de boa situação financeira e aderir à greve, e ir pra rua, e gritar, e no outro dia vai estar tudo bem, elas podem voltar à trabalhar. Há mulheres que se faltarem no emprego ficam desempregadas e no dia seguinte o filho vai estar pedindo a janta. E, bom, essas do primeiro caso vão estar fazendo a sua parte - como os artistas ricos que usam a visibilidade que tem para fazer críticassociaisfodas apesar de não ter vivência do assunto - mas o que as pobres podem fazer?

Acredito que a militância pra esse dia é tudo o que devemos fazer sempre ao pensar nas companheiras que não tem acesso à materiais feministas seja por falta de tempo ou de dinheiro ou de inúmeros outros fatores que podem influenciar. Com a ressalva de que a intensidade das discussões e da propagação dos artigos, textos, filmes, músicas deve ser maior porque a própria data já da visibilidade à questão e isso deve ser explorado. 

Mas, enfim, separei algumas dicas do que eu mesma fiz e do que pode ser feito para contribuir com a movimentação feminista em datas como essas ainda que você não possa comparecer a atos presenciais ou aderir à greves. 

Além de compartilhar, posso dizer, massivamente informações e frases conscientizadoras nas redes sociais, estar disposta a conversar com pessoas a fim de desconstruir, falar sobre o assunto constantemente ao longo do dia e disseminar o máximo de argumentos, dados e estatísticas que souber sobre a causa onde der, há algumas ações que podem ser feitas para crescimento intelectual, ativista e pessoal. Coisas com conteúdos que vão agregar valor a todas essas informações que você já tem pra passar, vão te apresentar uma nova perspectiva daquilo que você já sabe ou pelo menos imagina e provavelmente te criar uma nova forma de abordagem sobre as pautas. 
Todas as minhas indicações são de fácil acesso, principalmente pela internet. Os docs disponíveis no youtube estão com links, assim como os artigos, e os livros que interessarem eu posso passar o arquivo pdf se você entrar em contato. Bem, eis elas:
A prostituição não deve ser julgada como ato individual, mas como uma questão coletiva que envolve, sobretudo, o patriarcalismo. Depoimentos de ex prostitutas.
Por que sempre queremos mudar algo em nosso corpo? Até onde somos quem realmente somos ao invés de estar tentando seguir o padrão de beleza inalcançável? Este documentário questiona sobre o uso e abuso do corpo da mulher na televisão.
  • documentário Amy
Documentário completo revisitando os momentos mais marcantes de sua carreira.

  • documentário She's beatiful when she's angry 
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Conta a história das mulheres que criaram o movimento feminista em 1960 através de arquivos e depoimentos emocionantes, fazendo revolução em todos os âmbitos sociais.
  • livro Scum manifesto por Valerie Solanas
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Recusando qualquer proposta conciliadora, Solanas vai além da luta contra as mais óbvias atitudes machistas. Ela denuncia o próprio capitalismo como causa e conseqüência do machismo. Para ela, uma sociedade livre do poder do Macho significa necessariamente uma sociedade livre do poder do Dinheiro. "Depois de eliminar o dinheiro não haverá mais necessidade de matar os homens. Eles serão privados do único poder que têm sobre as fêmeas psicologicamente independentes."
  • livro Mulheres, raça e classe por Angela Davis
Traça um poderoso panorama histórico e crítico das imbricações entre a luta anticapitalista, a luta feminista, a luta antirracista e a luta antiescravagista, passando pelos dilemas contemporâneos da mulher. O livro é considerado um clássico sobre a interseccionalidade de gênero, raça e classe. 
  • livro O mito da beleza por Naomi Wolf
Liberada, profissionalmente capaz de competir com os homens em todos os níveis, ativa, apta a lidar com a dupla jornada - trabalho e lar -, a mulher de hoje enfrenta, na realidade, uma tripla jornada. Nas horas de folga de suas múltiplas atribuições, ela investe obsessivamente em sua beleza, para manter a juventude e a formosura que lhe permitirão preservar justamente trabalho e lar.
  • documentário Em busca de Iara
Relata a trajetória excepcional de Iara Iavelberg. Apesar de ter uma situação financeira confortável, ela decidiu abandonar a família e investir na luta armada durante a ditadura militar. Iara teve uma relação amorosa com o capitão Carlos Lamarca, e morreu em 1971, aos 27 anos de idade. 
  • documentário Hot girls wanted 
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Põe em questão a promissora indústria do pornô "amador", a faceta mais moderna da pornografia, tendo a internet como maior aliada em um dos ramos que mais explora mulheres no mundo. Apresenta dados e estatísticas muito interessantes. 
  • documentário As Hiper Mulheres
Temendo a morte da esposa idosa, um velho pede que seu sobrinho realize o Jamurikumalu, o maior ritual feminino do Alto Xingu (MT), para que ela possa cantar uma última vez. As mulheres do grupo começam os ensaios enquanto a única cantora que de fato sabe todas as músicas se encontra gravemente doente.
  • filme Frida
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Frida Kahlo (Salma Hayek) foi um dos principais nomes da história artística do México. Conceituada e aclamada como pintora, ela teve também um casamento aberto com Diego Rivera (Alfred Molina), seu companheiro também nas artes, e ainda um controverso caso com o político Leon Trostky (Geoffrey Rush) e com várias outras mulheres. 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Homens e feminilidade no carnaval.

A grande magia do carnaval, pra mim, é e sempre será se fantasiar e tentar esquecer dos problemas que assolam o Brasil durante esses 4 dias em que se divertir parece ser a única regra. Mas problematizar é preciso, e parece que homens nunca dão um desconto pra nós.
Nesse carnaval comecei a refletir sobre os famosos "blocos das piranhas", ou a graça de "se vestir" de mulher no carnaval. Só de ter que usar o termo "se vestir de mulher" (vamo lá, básico do básico: o que é se vestir de mulher? Existe uma vestimenta correta para mulheres? Só sou mulher se minhas roupas estiverem de acordo?) a gente já começa a pensar em quão problemático esse ato é.

A feminilidade é uma série de comportamentos que são, em sua essência, pura submissão ritualizada.”
(Lierre Keith) 

Bem, comecemos falando sobre feminilidade. A feminilidade é uma das grandes armas do patriarcado, historicamente e extremamente opressiva, criada unicamente para mais uma vez designar mulheres à como elas devem ser, uma ferramente de controle feminino. De sua etimologia mesmo, é o conjunto de regrinhas e comportamentos que devem pertencer à fêmea. Salto alto, maquiagem, dietas, delicadeza, obediência, sutiã, cabelo comprido, depilação... essas coisas que a gente já conhece. Essas coisas que se não fizermos, somos julgadas. Porque isso não foi feito para ser questionado. Mulheres foram (e ainda são) submetidas à esse padrão por milhares de anos sem ao menos se perguntar "por que eu uso salto se me incomoda?", e mesmo hoje onde essas questões são frequentemente levantadas e a resposta conhecida, permanecemos moldadas ao papel d"o que é ser mulher".

"Enquanto a feminilidade estereotipada continua sendo o padrão controlador da beleza para mulheres, mulheres aparentando femininas (trans ou não) serão alvos aos olhos da violência misógina por causa de sua notada “beleza”. Em outras palavras, porque são conformativas com o feminino.
Além disso, comportamentos femininos socialmente definidos como hospitalidade, cuidado e um desejo socialmente estruturado pela atenção sexual masculina contribuem para a vulnerabilidade das mulheres à exploração. Quando a performance social de uma mulher (trans ou não) é coerente com a subordinação feminina à autoridade masculina, estupradores e outros abusadores poderão fazer alvo dessas mulheres como vítimas fáceis na suposição de que serão menos prováveis de resistir a avanços não desejados."
(Elizabeth Hungerford)

Então, a feminilidade machuca mulheres. Mulheres tem sua feminilidade reforçada mesmo quando não querem. Mulheres sofrem por serem socializadas de modo a se moldar aos padrões de feminilidade. Mulheres tem sua feminilidade NEGADA por serem lésbica. Mas, de repente, um homem decide que batom vermelho e short curto será a sua fantasia mega engraçada pro carnaval e todo mundo brinca e acha legal. Esse homem não está dizendo "roupas não tem sexo", quebrando padrões de "gênero", sendo revolucionário. Esse homem tá rindo, agindo de acordo com o que ele mesmo classifica ser piranha com uma maquiagem escrotamente passada na cara (como se ser mulher fosse algo ridículo). Por que pra eles isso é engraçado - reforçar (porque ao instituírem que vestido faz parte de sua "fantasia de mulher", por exemplo, eles mesmos designam que esse item foi feito somente para mulheres ou somente mulheres devem usar esse item) e debochar da nossa opressão?

É mais fácil perceber o deboche quando você nota que o personagem de "vadia" que homens incorporam quando se "fantasiam de mulher" só é realmente engraçado quando ligado à essa fantasia já que geralmente as atitudes que eles tomam fariam qualquer mulher ser abusada, assediada ou estuprada em qualquer dia normal, quanto mais no carnaval.

Um homem sair e brincar de ser "mulher" sendo "feminino" é opressor, é errado, é ignorar todo o histórico que mulheres foram assediadas e silenciadas. Porque esses símbolos, como as roupas e inúmeros outros signos foram feitos justamente para dividir a Terra na hierarquia de gêneros, a mulher como submissa ao homem e sua vontades, e como usar a dialética dessa quebra do fantasiado se crescem nos fantasiando o tempo todo? Não dá. Não há revolução, não há quebra de padrão, só há os desejos designados pelo patriarcado mesmo.

Resultado de imagem para patriarcado tumblrVocê pode achar que essa é uma problematização desnecessária, como eu vi muitos comentários nos materiais que procurei sobre o assunto "não perco tempo pensando muito", pois bem, se me permitem humildemente perguntar, vocês realmente acreditam em uma vitória feminista? Estão traçando planos para alcançá-la? Falo de tática de guerra mesmo. E lembrando que vitória feminista = revolução. Por que se sim, como acham que vai acontecer? Em um dia, o patriarcado vai cair e mulheres assumirão o poder? Gente, nem em filme de Pixar. Somente disseminando ideias, promovendo debates e discussões e evoluindo nas problematizações é que conseguirem um nível de conscientização que poderá nos levar a revolução "corporal" e vitória.
Se algo é claramente misógino, não é relativizando e fingindo que elas não fazem diferença na nossa vida que elas vão deixar de fazer. O patriarcado é um sistema antigo, complexo e muito bem construído para não ser derrubado. Ou seja, é necessária que cada peça seja tirada cuidadosamente e de uma vez só, nada "não vale a pena ser problematizado". Quanto mais ignorarmos uma questão porque "tem coisa mais importante para se preocupar", mais seremos vítimas desde estupro e feminicídio até misoginia disfarçada de festa que a gente se recusa a lutar contra.
NÃO SE DEIXEM CANSAR!






domingo, 19 de fevereiro de 2017

Oscar 2017 (melhor filme): "in MOONLIGHT black boys look blue"

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Moonlight é divido em três passos lentos: Moleque (infância), Chiron (juventude) e Nego (adulto) mas não tem nada a ver com Boyhood, ok?! Então de cara já ficamos sabendo tudo aquilo que fez Chiron ser quem é: o bairro pobre de Miami, a mãe viciada, a homossexualidade,... E claro, seu processo de amadurecimento se adaptando as situações desafiantes que é colocado.


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MAHERSHALA ALI ROUBOU AS CENAS EM QUE APARECE
Na primeira parte, temos uma criança confusa que acha em um traficante de drogas uma figura paterna. Mas na verdade, isso é adquirido sem muito esforço: basta o mínimo de compreensão e diálogo para que a relação em Juan e Chiron seja criada. Juan é quase dois homens, o chefe das ruas bem marrento e  o namorado amoroso de Teresa que juntos auxiliam Chiron em toda sua trajetória (ou melhor, quase toda. Juan não permanece, mas seria spoiler demais).
É nessa fase que Chiron questiona sua sexualidade e a relação dos negócios de Juan com o que a mãe faz. Inclusive, essa situações compõe umas das melhores cenas.

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Tudo isso é mostrado de forma muito sensível. Acho que talvez ficou aí a falha, nos filmes, a linha entre o sensível e o sutil é muito tênue e o sutil é facilmente ruim. Acredito que a temática tinha tudo para fazer do filme cheio de cenas arrebatadoras, mas invés disso Berry Jenkins, diretor do filme, optou por fazer tudo como um carinho no rosto: leve mas significativo.

Já na adolescência, Chiron já tem noção de tudo isso mas continua um rapaz quieto que tenta manter uma fachada como mecanismo de defesa. Ele explora mais sua sexualidade e finalmente se permite sentir revolta, que é quando algo acontece e dá a Chiron a ocasião perfeita para mudar radicalmente de atitude.

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No decorrer do filme você acabada percebendo - ou se conformando - que a ideia é simplesmente mostrar a vida como ela é, com decisões difíceis, pessoas que vem e vão, momentos de reflexão e sem muitos finais felizes. Mas analisando minuciosamente, algo te mostra que na verdade não é pra ser uma biografia seca de um personagem, mas a de seus sentimentos. Sem falar muito, eles são passados discretamente para o telespectador com a ajuda de vários recursos, sendo o principal, com certeza, a fotografia.
Sem grandes diálogos ou plot twists, esse filme usa e abusa da fotografia e ângulos da câmera para dar o ar poético e triste crucial para a obra do diretor.

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Talvez a maior surpresa do filme seja ver o protagonista na última fase, quando se torna tudo o que até então não achávamos que ele se tornaria. E chega a ser engraçado pois, apesar de exteriormente parecer forte e durão, sua essência continua a mesma do Moleque. E sua busca continua a mesma: interna, solitária, agoniante. Onde a última cena é um descanso disso. É quase uma chegada ao seu destino.

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NAOMI HARRIS, MINHA ATUAÇÃO PREFERIDA DO FILME.
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Inclusive, o grande auxilio na demonstração dessa essência permanente foi a atuação dos três atores que fizeram Chiron, Alex Hilbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes, respectivamente. Manteram trejeitos, jeitos, olhares, todos os mesmos. É praticamente impossível dizer que de fato não eram a mesma pessoa com idades diferentes.






Arrebatador? Não. Tocante? Com certeza sim.
Aposto fortemente pro Oscar, mas não pro meu pessoal hahahah