quarta-feira, 8 de março de 2017

Nem todas nós podemos fazer greve, mas... podemos militar.

Nos EUA, já se falava sobre feminismo negro e recortes nos anos 70. Mas no Brasil, só nos final dos anos 80 é que as críticas alavancadas por Judith Butler chegaram. Começou a se mostrar que um movimento homogênico é excludente, que não dá pra tratar os problemas femininos como universais uma vez que diferente opressões atingem diferentes mulheres, assim, é necessário discutir "gênero" com recorte de classe e raça.

Hoje, como descomemoração pelo Dia Internacional das Mulheres, o movimento NEM UMA A MENOS decidiu propôr a Greve Internacional das Mulheres seguindo a máxima "se nossas vidas não importam, que produzam sem nós". O que, para mim e uma cambada de teóricas do feminismo, essa é realmente a única forma de quebrar o maior pilar do patriarcado: o capitalismo. Apesar de serem independentes sistemas de opressão, hoje, ambos acabaram se fundindo e um faz a manutenção do outro. Exemplo: as indústrias da beleza que lucram graças a opressão estética em cima do corpo feminino. 
E, na posse privada dos meios de produção do sistema capitalista, surgiram os grupos dominados e dominantes... classes sociais... desigualdade social. Que é basicamente o motivo pelo qual nem todas nós podemos fazer greve.

Em outros paises, é fácil notar que a opressão por "gênero" é com certeza a maior, pense Oriente Médio por exemplo, nem há como mulheres e homens competirem economicamente já que mulheres nem tem acesso há estudo ou qualquer outro meio de ascensão financeira. Então, limito essa ~crítica~ ao Brasil. A dinâmica daqui é diferente. Como não temos mais leis que amparem o machismo escancarado, é dado a nós o direito de ensino, emprego, etc, e conseguimos chegar e até ultrapassar a classe média/alta masculina. Mas o problema é que o ensino que é dado à mulher da periferia não é o mesmo ensino dado à mulher da cobertura na praia. O que eu tô querendo dizer é que aqui, a burguesia tá sempre no topo e a periferia sempre na luta. Se você é rica, branca, ainda que mulher, nunca que um homem negro vai te ganhar em um processo judiciário. 


Em resumo, há mulheres que vão usar do seu privilégio de boa situação financeira e aderir à greve, e ir pra rua, e gritar, e no outro dia vai estar tudo bem, elas podem voltar à trabalhar. Há mulheres que se faltarem no emprego ficam desempregadas e no dia seguinte o filho vai estar pedindo a janta. E, bom, essas do primeiro caso vão estar fazendo a sua parte - como os artistas ricos que usam a visibilidade que tem para fazer críticassociaisfodas apesar de não ter vivência do assunto - mas o que as pobres podem fazer?

Acredito que a militância pra esse dia é tudo o que devemos fazer sempre ao pensar nas companheiras que não tem acesso à materiais feministas seja por falta de tempo ou de dinheiro ou de inúmeros outros fatores que podem influenciar. Com a ressalva de que a intensidade das discussões e da propagação dos artigos, textos, filmes, músicas deve ser maior porque a própria data já da visibilidade à questão e isso deve ser explorado. 

Mas, enfim, separei algumas dicas do que eu mesma fiz e do que pode ser feito para contribuir com a movimentação feminista em datas como essas ainda que você não possa comparecer a atos presenciais ou aderir à greves. 

Além de compartilhar, posso dizer, massivamente informações e frases conscientizadoras nas redes sociais, estar disposta a conversar com pessoas a fim de desconstruir, falar sobre o assunto constantemente ao longo do dia e disseminar o máximo de argumentos, dados e estatísticas que souber sobre a causa onde der, há algumas ações que podem ser feitas para crescimento intelectual, ativista e pessoal. Coisas com conteúdos que vão agregar valor a todas essas informações que você já tem pra passar, vão te apresentar uma nova perspectiva daquilo que você já sabe ou pelo menos imagina e provavelmente te criar uma nova forma de abordagem sobre as pautas. 
Todas as minhas indicações são de fácil acesso, principalmente pela internet. Os docs disponíveis no youtube estão com links, assim como os artigos, e os livros que interessarem eu posso passar o arquivo pdf se você entrar em contato. Bem, eis elas:
A prostituição não deve ser julgada como ato individual, mas como uma questão coletiva que envolve, sobretudo, o patriarcalismo. Depoimentos de ex prostitutas.
Por que sempre queremos mudar algo em nosso corpo? Até onde somos quem realmente somos ao invés de estar tentando seguir o padrão de beleza inalcançável? Este documentário questiona sobre o uso e abuso do corpo da mulher na televisão.
  • documentário Amy
Documentário completo revisitando os momentos mais marcantes de sua carreira.

  • documentário She's beatiful when she's angry 
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Conta a história das mulheres que criaram o movimento feminista em 1960 através de arquivos e depoimentos emocionantes, fazendo revolução em todos os âmbitos sociais.
  • livro Scum manifesto por Valerie Solanas
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Recusando qualquer proposta conciliadora, Solanas vai além da luta contra as mais óbvias atitudes machistas. Ela denuncia o próprio capitalismo como causa e conseqüência do machismo. Para ela, uma sociedade livre do poder do Macho significa necessariamente uma sociedade livre do poder do Dinheiro. "Depois de eliminar o dinheiro não haverá mais necessidade de matar os homens. Eles serão privados do único poder que têm sobre as fêmeas psicologicamente independentes."
  • livro Mulheres, raça e classe por Angela Davis
Traça um poderoso panorama histórico e crítico das imbricações entre a luta anticapitalista, a luta feminista, a luta antirracista e a luta antiescravagista, passando pelos dilemas contemporâneos da mulher. O livro é considerado um clássico sobre a interseccionalidade de gênero, raça e classe. 
  • livro O mito da beleza por Naomi Wolf
Liberada, profissionalmente capaz de competir com os homens em todos os níveis, ativa, apta a lidar com a dupla jornada - trabalho e lar -, a mulher de hoje enfrenta, na realidade, uma tripla jornada. Nas horas de folga de suas múltiplas atribuições, ela investe obsessivamente em sua beleza, para manter a juventude e a formosura que lhe permitirão preservar justamente trabalho e lar.
  • documentário Em busca de Iara
Relata a trajetória excepcional de Iara Iavelberg. Apesar de ter uma situação financeira confortável, ela decidiu abandonar a família e investir na luta armada durante a ditadura militar. Iara teve uma relação amorosa com o capitão Carlos Lamarca, e morreu em 1971, aos 27 anos de idade. 
  • documentário Hot girls wanted 
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Põe em questão a promissora indústria do pornô "amador", a faceta mais moderna da pornografia, tendo a internet como maior aliada em um dos ramos que mais explora mulheres no mundo. Apresenta dados e estatísticas muito interessantes. 
  • documentário As Hiper Mulheres
Temendo a morte da esposa idosa, um velho pede que seu sobrinho realize o Jamurikumalu, o maior ritual feminino do Alto Xingu (MT), para que ela possa cantar uma última vez. As mulheres do grupo começam os ensaios enquanto a única cantora que de fato sabe todas as músicas se encontra gravemente doente.
  • filme Frida
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Frida Kahlo (Salma Hayek) foi um dos principais nomes da história artística do México. Conceituada e aclamada como pintora, ela teve também um casamento aberto com Diego Rivera (Alfred Molina), seu companheiro também nas artes, e ainda um controverso caso com o político Leon Trostky (Geoffrey Rush) e com várias outras mulheres. 

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