segunda-feira, 13 de março de 2017

amém Amy Adams!

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Arrival / A Chegada (2016)
dirigido por: Denis Villeneuve
116 minutos

Quando seres interplanetários deixam marcas na Terra, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma linguista especialista no assunto, é procurada por militares para traduzir os sinais e desvendar se os alienígenas representam uma ameaça ou não. No entanto, a resposta para todas as perguntas e mistérios pode ameaçar a vida de Louise e a existência de toda a humanidade.

A primeira coisa que você precisa saber antes de assistir Arrival é que quando acabar você não será mais a mesma pessoa. É o mesmo sentimento que te assola depois de ver Interestelar ou Amnésia. 

O início do filme mostra a Dra. Louise como alguém que vive triste com uma espécie de tragédia que parece ter acontecido recentemente em sua vida, ela lembra o tempo todo do ocorrido e se tornou muito solitária depois do que aconteceu. Ou seja, o filme já começa de forma não-linear (não mostra o tempo na ordem que ele acontece, mas uma mistura de passado, presente e futuro). A questão é que "lembrar" não é bem a palavra do que acontece. No final do filme você nota que devia ter prestado mais atenção na primeira cena:

"Memory is a strange thing.
It doesn’t work like I thought it did."
(A memória é uma coisa estranha. Ela nunca funciona como eu achava que funcionava)


Louise é doutora em linguística, foda no que diz respeito à comunicação e é por isso que quando 12 naves alienígenas pousam em diferentes locais do mundo, um coronel vai pessoalmente em seu escritório pedir ajuda. Ele leva um gravador com o que conseguiram na tentativa de falar com aliens, mas tudo o que dá pra entender são ruídos. Ela diz "tá de sacanagem?", não, isso é o que a gente pensa. Mas ela diz que precisaria estar lá pra avaliar o comportamento deles. E assim, junto com um cientista fodão também, ela está à frente da interação estaduniense com os alienígenas em auxílio ao exercito americano.


Na primeira sessão, Louise percebe que não vão conseguir nada tentando decifrar os sons que recebem como resposta dos aliens, mas que se comunicar pela escrita será o caminho mais rápido. Assim, na segunda tentativa, ela leva o que chama de "auxílio visual", um pequeno quadro branco onde escreve a palavra "HUMAN". E ela consegue uma resposta. Mas aquilo é diferente de tudo o que já viram.


O que parece ser só um borrão em formato circular pra gente, é a escrita desses alienígenas. Começam a estudá-la e a ensinar aos aliens algumas palavras e conceitos básicos do inglês para que consigam a responder a grande pergunta QUAL O PROPÓSITO DE VOCÊS NA TERRA? 
Pra isso, eles precisam ser ensinados o conceito de pergunta - questionamento que precisa de resposta -, de pronomes - não querem saber o porquê de um alien específico ter vindo, mas o porquê todos eles. Aqui está o primeiro ponto de originalidade do roteiro, na minha opinião, abrir a nova perspectiva de que um ser extraterrestre possui não só outra linguagem, mas outra cultura completamente diferente da nossa, que não tem os mesmos elementos e talvez nem elementos correspondentes. Que a comunicação deles pode ser algo que sequer tenha tradução, como acontece entre os idiomas terrestres.

Focando todas as pesquisas e estudos a escrita alienígena recém descoberta, alguns fatos interessantes são descobertos... o primeiro é que, diferente de toda língua humana, eles possuem uma escrita que não é falada, simplesmente não tem tradução oral. E a segunda é que não tem relação com o que é pensado e o que é escrito. A forma circular representa a não-linearidade do pensamento, como se você já escrevesse sabendo perfeitamente qual o espaço que aquela frase vai ocupar. É quase um pensamento instantâneo.
Eis a segunda ideia inédita. Sempre pensamos e vemos alienígenas na ficção científica como seres completamente diferentes fisicamente de nós, mas a sua fala e comportamento, se não for bestial, é meio humana. Mas isso é diferente de tudo, é mais do que uma superioridade tecnológica ou intelectual, é literalmente outra forma de pensar.

Outra coisa bem legal é que conseguem manter um certo mistério sobre a aparência dos aliens até o final do filme, mesmo o que mostra durante não é a forma física deles completa, e você se surpreende quando isso é revelado.

Durante o processo, começam a surgir dois problemas. O primeiro, interno de Louise que está cada vez mais perturbada com os sonhos que tem constantemente com a mesma garotinha em diferentes fases e situações da vida. O segundo, diplomático. Nem todos os paises tem a mesma paciência e didática com nossos visitantes que os EUA (risos), como a China, que é o primeiro país a declarar guerra aos extraterrestres - uma decisão nada inteligente, diga-se de passagem.

Agora, resta a essa ~personagem feminina forte~ se resolver e ficar bem, acalmar os ânimos do General chinês e conseguir logo essa bendita resposta. Mas o mais legal, o plot twist, a cereja do bolo, a sacada final, é a consequência desse processo de aprender um novo idioma.




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Noctural Animals / Animais Noturnos (2016)
dirigido por: Tom Ford
115 minutos

Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte que se sente cada vez mais isolada do parceiro (Armie Hammer). Um dia, ela recebe um manuscrito de autoria de Edward (Jake Gylenhaal), seu primeiro marido. Por sua vez, o trágico livro acompanha o personagem Tony Hastings, um homem que leva sua esposa (Isla Fisher) e filha (Ellie Bamber) para tirar férias, mas o passeio toma um rumo violento ao cruzar o caminho de uma gangue. Durante a tensa leitura, Susan pensa sobre as razões de ter recebido o texto, descobre verdades dolorosas sobre si mesma e relembra traumas de seu relacionamento fracassado.

O filme tem três linhas cronológicas que se intercalam mas é sempre nítido quando muda. O presente de Susan, suas memórias com o ex-marido, e a ficção dentro do filme, que é o livro, Animais Noturnos, que ela recebeu. O nome, explicando em um momento do filme, é uma referência à ela mesma, já que "animal noturno" é como Edward à chamava pois ela tem problemas com insônia e passa muitas noites acordada. Assim, nem precisava, mas só pra ficar claro, ele botou na primeira página "para Susan". 
  

"my ex-husband used to call me a nocturnal animal"

O livro é uma história violenta e dramática de um homem que teve sua esposa e filha estupradas e mortas por uma gangue de 3 homens e conta com a ajuda de um policial local com câncer no pulmão para ter sua vingança. Durante toda a leitura, Susan se sente perturbada e temos bruscas mudança do cenário do livro para Susan lendo super tensa, Susan jogando livro no chão, Susan passando a mão por debaixo do óculos, e assim passar o quanto ela estava realmente sentindo o livro. Olha, esse homem escreve bem mesmo, ein?! Primeiro pensamento.



Daí você se liga... "por que diabos esse livro foi dedicado à ela?". Mas a narrativa do livro começa a se misturar com as lembranças do relacionamento de Susan e a coisa toda vai ficando clara. 


Logo de cara, a gente percebe o quanto Susan mudou durante os anos. Nas lembranças, uma mulher simples, aparentemente feliz, sem maquiagem... E parece que ela mesma não se sente satisfeita com isso. De família rica, historiadora da arte, ela acabou se moldando aos padrões do que é necessário pra estar nessa indústria e classe social. 
Esse é um dos pontos. Como ela foi mudando, não só na aparência, e se distanciando do que inicialmente fez o casal se apaixonar. Até porque, Edward é um escritor romancista, super sentimental...



Com o auxílio de uma fotografia foda, a agonia é cada vez mais presente, e quanto mais aumenta na ficção-dentro-da-ficção, mais aumenta a culpa e arrependimento na protagonista, que dentro de algumas cenas é revelada a razão. 

O final, mesmo sem nenhuma grande mensagem ou surpresa, trás uma boa conclusão pra trama e te faz pensar por alguns bons minutos o que significou. Quando você percebe, o filme estava cheio de mensagens do que foi toda essa experiência. 



Em resumo, não é do tipo que vai te fazer tremer ou chorar, mas adiciona cinematograficamente.

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