terça-feira, 25 de outubro de 2016

Um pouco sobre padrões de beleza...

Tudo o que eu vou dizer a seguir é um pensamento bem lógico e linear, é basicamente uma sacada.

Começo com essa pintura renascentista que retrata o ideal de beleza greco-romano:


Nessa época, a gordura era um indicador de status social. Em um contexto em que a maioria da população passava fome, ser gorda significava que você tinha dinheiro o suficiente pra comer além do "normal". Celulite e quadris largos eram indicativos de nobreza. 
Reforçando: a maioria da população passava fome. O mais comum era ver mulheres extremamente magras. E qual era o ideal de beleza: ser gorda. Devia ser bem fácil estar dentro desse ideal, não é? Coincidência?!

Voltando um pouco mais no tempo...
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Essa é a Vênus Paleolítica. Hoje em dia, esse corpo é dificilmente visto como atraente ou minimamente interessante, mas há 28 mil anos atrás encontrar uma mulher com ele era o ideal para os homens. Motivo: ideal pra procriação, por causa do quadril largo. 
Nosso corpo como uma mera ferramenta pra realização de um interesse masculino. Parece tão atual, não é?

Bem, esses são dois exemplos bem antigo de ideais de beleza. Depois deles, surgiu o sex appeal e as femme fatales, ou o auge da mulher como objeto. 
E sim, estou falando do jeito de andar, se vestir, e até olhar para um homem. É isso que caracteriza o sexy. O agradar, instigar, ser desejada e desejar um homem. Desde Marylin Monroe com o surgimento do bojo até Brigitte Bardot, Kate Moss e hoje em dia... sei lá... Scarlet Johnsson. 

Mas a minha verdadeira intenção em mostrar esses ideais é que, primeiramente, eles mudam. Não há um só ideal de beleza, permanente durante toda história da humanidade. E se os ideias de beleza mudam, é porque não existe o que é belo. O que configura o ideal de beleza como sem sentido. Se eu não posso afirmar nada como belo ou não, porque eu posso afirmar que exista um padrão a ser seguido pra ser belo ou não? 

Segundo é destacar como os ideias de beleza são propositalmente, calculadamente, friamente inalcançáveis. Se o mais comum pra época é ser gorda, o ideal de beleza será a magreza, e vice-versa. Isso é feito para que as mulheres estejam sempre insatisfeitas com seu corpo, se sentindo inferiores e com a auto-estima baixa.
O padrão de beleza criado PELO patriarcado é só mais um mecanismo do mesmo. É só uma forma de nos deixar mais suscetíveis a sua manipulação. Acho que perceber isso é uma grande conquista no processo de desconstrução e ~smash the patriarcy~

Por fim, e não menos importante... a ditadura de um padrão de beleza trás como premissa que mulheres não tem poder  total sobre o seu corpo. E que são inseguras quase que por natureza. Explico: o padrão de beleza não é como um homem gigante dizendo como o seu corpo deve ser?! Como se ele não fosse teu?! Como se você não tivesse um gosto pessoal, uma mera vontade?! Como se você devesse mesmo obedecê-lo?! O patriarcado sabe disso. É assim que é pra ser. É assim que é.
É claro que nenhuma analogia é perfeita... por isso vou dichavar uma certa parte do parágrafo acima pra que não haja brechas: pode haver resistência particular/interna, há escolha. Mas uma coisa inegável é que socialização não falha. Que escolha é essa em que o mundo grita que ficar gorda é a pior coisa que pode acontecer a uma mulher? Uma ou outra guerreira que destoa, mas não dá pra considerar. Só estaremos livres quando todas as mulheres estiverem.
Obs.: esse homem gigante é um megazord. Cada componente dele carrega um pouquinho desse ditador. Querendo ou não.

(É claro que essa é só uma reflexão por uma feminista qualquer que pensa muito sobre isso e tem pequenas dificuldades de se expressar, mas links estarão disponíveis se forem solicitados.
O texto mór e crucial sobre o assunto é o livro O MITO DA BELEZA - tenho o pdf, só pedir também.)

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