terça-feira, 27 de setembro de 2016

Minhas considerações sobre #setembroamarelo

E eu me sinto péssima. Acho que o vazio da depressão é inexplicável, a pior coisa que eu já senti. Não é como aqueles sentimentos complexos que dá pra fazer um milhão de metáforas e analogias e no final fica lindo. Eu já comparei com aquele mingau de arroz asiático, porque parece ser tão ruim e desanimador quanto. Mas é só uma tentativa provavelmente falha.A depressão é nojenta, obscura e profunda demais pra qualquer definição. A mais profunda tristeza. Tudo o que meus amigos e família dizem não fica. Todo elogio e mensagens de "te amo", "me importo com você" e tudo mais. É incrível como meu cérebro torna concreto o pensamento de que essas coisas são mentiras deslavadas quando não há nenhum argumento racional pra isso.
Estar inconfortável é constante e aprender a lidar com isso é difícil, mas natural. Uma casca. Entre sorrisos e mãos trêmulas você conversa. Tenta organizar as ideias na sua cabeça que mais parece aqueles caras da bolsa de valores pra conseguir manter a conversa. Sabe, é impressionante conseguir selecionar o que dizer dentre tantos pensamentos. Aí você chega em casa e tá sozinha. Você pensa no que precisa fazer. Eu não vou conseguir, preciso de um ânimo que não tenho, isso é muito trabalhoso. Enquanto desce a merda do feed do facebook e não consegue pensar em nada mais inútil do que o que postam. Você passa três horas fazendo isso. Você não saiu do lugar. Consegue sentir a agonia daí? Você nota que se passam três horas. Me sinto um lixo. A N S I E D A D E, o nome.
De todas as perguntas que me fazem uma das que eu acho mais pertinente é "por que você faz isso?". Perguntam olhando pros cortes.
Geralmente eu só respondo "não é assim...".
E, bem, não é assim.É pessoal.Fuga, descarregar a raiva, meditação.Eu não acho que essa seja a melhor coisa a se dizer quando você se depara com alguém que não gosta de si ao ponto de se machucar. Eu não tenho orgulho deles. É como se aqueles caras da bolsa de valores saíssem da mente, descessem pras pernas pra gritar "você é muito fraca mesmo!". Eu gosto quando meu namorado acaricia as cicatrizes propositalmente só pra lembrar que essa pequena coisinha (eu) merece carinho e não uma gilete, tesoura, faca, caco de vidro.
Não é uma corrente. Eu não quero que você me diga o quanto eu sou bonita, porque eu não vou acreditar nisso. Eu não quero que você me fale pra ter força porque eu sei que é o que eu tenho que ter. PORQUE EU TÔ TENTANDO, OK? Eu quero que você sinta, de uma maneira absurdamente reduzida, o que eu sinto. Pra você tentar entender o quanto é ruim.Porque eu acredito que não exista alguém tao mal a ponto de desejar isso pra alguém e assim eu acredito que voces evitarão criar um novo depressivo, ansioso, etc.É SÓ OLHAR PRAS PESSOAS AO SEU REDOR. Todo mundo só quer reconhecimento. Tudo o que a gente faz é regido por isso. Essas relações que estão sempre a um passo da indiferença são a pior coisa que a modernidade trouxe. Demonstra, abraça, fica. Fala. Fala que o vestido ficou bonito, que ouviu a música que mandou, que sonhou com a pessoa, que adora o jeito que essa pessoa te entrega o café. Fala qualquer coisa. Fala até do que não gosta.É UM APELO. EU TO ME EXPONDO PORQUE EU NAO AGUENTO MAIS. Eu to me expondo porque meu senso de empatia é grande demais pra ver todos os dias pessoas a beira de ficar como eu estou e não me importar. Como você não se importa e deveria.Essas correntes é só encheção de ego, contexto pra flerte e curiosidade. As doenças da mente não tem band-aid, ou é recuperação lenta e dolorosa ou é rapidamente corrosivo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário