terça-feira, 23 de agosto de 2016

nada importante, só vou à terapeuta e quero compartilhar isso

Atenção, vou me expor na internet.

Bem, vou começar (na verdade, recomeçar) a terapia essa semana e acho que devo praticar um pouco sobre falar dos meus problemas. Até porque, é super constrangedor ficar lá sentadinha de frente com uma pessoa que está te analisando e ficar calada, com ela te encarando. Geralmente eu estou do outro lado, analisando - sou muito observadora. Passo os primeiros 30min cheio de "ér... sei lá... não sei...", e a verdade é que eu estou sendo sincera. Não sei muito sobre o que se passa na minha cabeça. Sei que incomoda, é perturbador, e não é normal. Falar tão explicitamente sobre as coisas que acontecem é meio estranho. Explicar também.
Em 2013, quando fiz pela primeira vez, a minha psicóloga estava certa que todos os meus problemas se baseavam nos problemas que eu tinha com a minha mãe. Eu e ela temos muitas brigas, é verdade. Inclusive enquanto escrevo esse post, ela está emburrada no quarto porque tivemos uma das horríveis, mas isso é história pra outro post. Mas somos uma canceriana e uma pisciana convivendo, não é fácil não! E minha vênus é em gêmeos, vai vendo... E eu tinha 15 fucking anos, pelo amor da deusa. Ninguém se dá bem com os pais com 15 anos. Mas enfim, por causa dessa constatação, a terapeuta chamava minha mãe pro consultório quase toda sessão. Por causa disso, nunca cheguei ao fim do tratamento, aquilo me cansava, a gente só levava as discussões pra outro lugar e no fundo eu tinha a impressão de que a terapeuta tava sempre "do lado" da minha mãe. Acho que ela se envolvia pessoalmente com as histórias. Anyway, eu não sei se posso considerar aquilo uma terapia.

Agora é diferente, eu já sou legalmente adulta (oooh, incrível, eu sei) e vou sozinha pra tudo. Até criei coragem de falar ao telefone e marquei sozinha. É quinta, 19h. Isso não para de latejar na minha mente, e embora eu tente me distrair, tô sempre pensando o que vou dizer.

Começo, mesmo, do início? Eu não sei onde meus problemas começaram a se formar mas sei quando eles se manifestaram. E se eu não souber me expressar e ela chegar a conclusões erradas? Será que eu consigo convencê-la a me dar remédios pra dormir? (Não tenho insônia, também é assunto pra outro post).
Desconfio que tenho algo novo no diagnóstico e que é ansiedade, então eu to desesperada. Também não sei se digo isso. Mas a informação foi só pra enfatizar o quanto essas coisas realmente não saem da minha cabeça.

Além disso, gostaria já sair de lá com todas as respostas só nessa primeira sessão. Não é financeiro, o plano cobre. É desespero mesmo. É cansaço.

Mas acho que não to ajudando a qualquer neuroatípica que ainda não fez terapia, então vou falar da parte boa - que vai servir pra mim mesma também.
Bem, a terapia ajuda basicamente a se entender. Me ajudou muito. A terapeuta te faz perguntas que você não se fez, e depois de passar bons 10min pensando na resposta, você geralmente chega a conclusão de que está tratando como um problema aquilo que não é - e isso não é culpa sua, mas do que eu chamo carinhosamente de demônios morando na sua cabeça. Ou que aquilo tem uma resolução, que nem sempre é fácil, mais possível. Muitas vezes eu cheguei a conclusão de que tava sendo ridícula, e essa é a pior de todas de se convencer. Mas depois acaba virando piada.

Eu acho que no final, você passa a se fazer essas perguntas de modo muito natural, aos poucos isso vai espantando os demônios e... vualá.
Eu não sei, parei pra estudar pro vestibular e nunca tive alta. Faz parte dos meus medos sobre o diagnóstico.

Ao menos, uma estrelinha eu mereço ganhar: consegui marcar e tô decidida a ir - após pelo menos 7 meses tentando, mas vou.
Acho que isso é um pouco de terapia também, se dar o direito de se sentir auto-suficiente. Pelo menos pra mim.
Como eu disse, esse post foi egocêntrico, pensei mais em mim do que em quem vai ler mas... sou blog pequeno, tenho esses privilégios (uma lágrima escorre do olho direito + sorriso triste).
hahah eu conto quando tiver alta, na próxima encarnação.

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