terça-feira, 12 de abril de 2016

Prostituição é exploração, não é libertação!

Na quarta-feira, dia 6, a França reconheceu a prostituição como uma das piores formas de violência contra a mulher.
a Assembleia Nacional Francesa reconheceu a prostituição como uma das piores formas de violência contra a mulher e votou a favor da criminalização de quem a financia. Este voto a favor da criminalização é o quarto projeto e final apresentado entre 2013 e 2016 (derrubando três rejeições do Senado), reforçando o país no combate à exploração sexual de mulheres em situação de prostituição. 
E aqui estão algumas justificativas pra essa ser uma boa decisão.

                                                    


A prostituição é um ato de consumo. Um consumo que está tão impregnado na nossa sociedade que não se há mais limites. Desde que traga-se benefícios individuais pro consumidor, não importa o que será comprado, ainda que não seja uma simples força de trabalho, ou prestação de serviços, mas sim o próprio corpo feminino. Mulheres são vendidas por homens, à homens, mas por se tratar de operações financeiras, classificam prostitutas como meras trabalhadoras. Isso dá a entender que mulheres escolhem essa profissão ou até mesmo tem gosto por elas. Uns ousam dizer que é um ato até mesmo empoderador.



Porém, é necessário olhar a prostituição dentro de um contexto social. E quando isso é feito, vemos que a prostituição não é um exercício de liberdade sexual, é uma exploração, é um estupro. Onde o dinheiro é a coerção do explorador (cafetão, "cliente") e a necessidade da explorada (prostituta). Eis um dado internacional que não me deixa mentir: 92% das prostitutas não atuariam se pudessem (Jeanne Cordelier, La dérobade, Paris, Hachette, 1976).
Ainda sobre o contexto social, também podemos analisar que a maior demanda feminina por consumidores masculinos remete a realidade de desigualdade econômica entre homens e mulheres. Até porque, não se vê a situação inversa. 




Falando assim tão claramente, parece óbvio. Mas a cultura patriarcal faz tudo isso ser normal. Já que a função feminina nesse mundo é dar prazer aos homens. Única e exclusivamente. Essa cultura é tão forte que enquanto quem se vende por necessidade é julgado e culpabilizado, quem compra - ainda que saiba de toda a realidade por trás do ato - está no seu direito. Em uma sociedade sexista como a nossa, não é de se surpreender que a prostituição seja algo natural.



A justificativa pra tudo isso, é, como sempre, o lucro. A prostituição gera um benefício muito grande pra economia bem como pros cafetões, e outros "senhores" de grande influência. Com tanto dinheiro em mãos, quem se importa com o bem-estar das mulheres? Ou simplesmente em pagá-las? É claro que boa parte desse lucro fica nas mãos dos chefes. Isso derruba mais um tijolo no muro da legalização da prostituição, onde quem lucraria seriam os cafetões, chefes do crime organizado, traficantes, e todos que vêem a sexualidade como um ato mecânico e quiserem tomar poder sobre uma mulher.

A única esperança para o fim de marketing de mulheres reside na medida que alguns paises tomaram, como foi o caso da França semana passada, e da Suécia em 1999:
Sob esta lei, mulheres, homens e crianças prostituídas não serão criminalizadas. Eles receberão apoio e benefícios sociais para sair dessa situação, enquanto homens que compram sexo serão multados e sujeitos a acusações legais.
Nesse mar de merda, também são incluídas as pautas da exploração da mulher negra (racismo) e de crianças (pedofilia), sobre as quais falarei futuramente.


LINKS:
Artigo - Prostituição: direito das mulheres ou sobre as mulheres?
Prostituição: exploração sexual das mulheres
Notícia - França reconhece prostituição como uma das piores formas de violência contra a mulher
peguei todas as imagens do Comitê pela Abolição da Prostituição, o qual dou todo meu apoio!


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